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Prostitutas da Vila Mimosa fazem cartaz em inglês para atrair turistas e atletas nos Jogos

Programa que custa R$ 75 passa a valer R$ 40 em rua próxima ao centro e Maracanã 
Por não ter tantos clientes quanto esperavam na Copa do Mundo 2014, as prostitutas que atuam na Vila Mimosa, no Rio, buscaram uma forma de atrair turistas e atletas durante as Olimpíadas, que começa em um mês. Um cartaz confeccionado em inglês oferece programas mais baratos do que o preço normal: de R$ 75 cai para R$ 40. Algumas estão dispostas até a fazer sexo de graça com uma atleta famoso, caso isso signifique atrair publicidade para o local. As informações são do Daily Mail.
As expectativas das mulheres que atuam na rua, que fica próxima do centro da cidade e do Complexo do Maracanã, são mais realistas do que dois anos atrás. No cartaz, as prostitutas anunciam sexo por 30 minutos a R$ 40, sexo por 1 hora a R$ 60 e sexo a três por R$ 40 reais (cada). Caso o programa com as duas prostitutas dure 1 hora, o valor sobe para R$ 80 para cada uma. A prostituta Aline Docinha, de 39 anos, afirma que a medida foi tomada para não repetir o que houve na Copa.
— Estávamos todos esperando muito a Copa do Mundo, porque disseram que teria muita demanda. Pensamos que íamos fazer fortuna. Colocamos TVs gigantes, fizemos churrasco e festas com músicas nacionais, mas quase ninguém apareceu. A rua ficou praticamente vazia. Acho que os turistas tiveram medo de vir para um lugar tão longe das praias e hotéis.
Aline afirma que nem mesmo os clientes brasileiros apareceram na época. Ela diz que, com as Olimpíadas, as mulheres que trabalham na Vila Mimosa não estão mais iludidas. Ela descreve o local como um “supermercado do sexo” e espera que os turistas que estiverem na cidade durante os Jogos Olímpicos queiram conhecer as prostitutas que estão ali.
— Sabemos que vamos ser esquecidas como fomos durante a Copa do Mundo, por isso estamos sendo pró-ativas. Só queremos dinheiro para pagar as nossas contas.
Segundo a publicação, mais de 3.000 mulheres se distribuem em 70 estabelecimentos da Vila Mimosa para oferecer sexo. O Daily Mail diz ainda que no local é proibida a presença de prostitutos ou mulheres transexuais, como forma de “manter a tradição”.
Gabriela Alves e Aline Docinha falam sobre dificuldades na Vila MimosaReprodução / Daily Mail
A prostituta Gabriela Alves, de 39 anos, afirma que sustenta a família com os rendimentos que tem na Vila Mimosa. Ela tem uma filha de 22 anos, duas netas, sendo uma com necessidades especiais. A mãe de 89 anos também mora na mesma casa. Gabriela diz que embora a clientela tenha diminuído, o número de mulheres que se prostituem na Vila Mimosa aumentou.
— Nunca esteve tão ruim, e a maioria das mulheres aqui está desesperada. Mas poucas de nós acham que virá algo das Olimpíadas. Temos medo que fique parado, como na Copa do Mundo. As meninas novas vão fazer qualquer coisa, até sexo sem preservativo, para não perder clientes. Eu jamais faria isso.
Gabriela pretende deixar de ser prostituta, já que concluiu a graduação e pode arrumar um emprego melhor. Aline tem três filhos crescidos e diz ter feito carreira na profissão, inclusive dando palestras sobre o tema. Mas ela também espera sair da Vila Mimosa e “fazer dinheiro mais fácil”. Para os Jogos, ela espera que o cartaz funcione.
— Estamos dispostas a aceitar qualquer oferta. Eu mesma faria um programa de graça se um atleta famoso vier aqui e nos der um pouco de publicidade. Vamos esperar que Usain Bolt ouça sobre nós e nos dê uma chance. Um monte de gente que trabalha no Rio e está falindo espera um milagre das Olimpíadas. As prostitutas também. Não queremos ficar ricas, mas se der para pagar a conta de luz, já está bom.

Conteúdos do blog

As publicações deste blog trazem conteúdos institucionais do Projeto Força Feminina – Unidade da Rede Oblata Brasil, bem como reflexões autorais e também compartilhadas de terceiros sobre o tema prostituição, vulnerabilidade social, direitos humanos, saúde da mulher, gênero e raça, dentre outros assuntos relacionados. E, ainda que o Instituto das Irmãs Oblatas no Brasil não se identifique necessariamente com as opiniões e posicionamentos dos conteúdos de terceiros, valorizamos uma reflexão abrangente a partir de diferentes pontos de vista. A Instituição busca compreender a prostituição a partir de diferentes áreas do conhecimento, trazendo à tona temas como o estigma e a violência contra as mulheres no âmbito prostitucional. Inspiradas pela Espiritualidade Cristã Libertadora, nos sentimos chamadas a habitar lugares e realidades emergentes de prostituição e tráfico de pessoas com fins de exploração sexual, onde se faz necessária a presença Oblata; e isso nos desafia a deslocar-nos em direção às fronteiras geográficas, existenciais e virtuais.   

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