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Força Feminina realiza Visitas Noturnas e se aproxima de novos pontos de prostituição

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A realidade da prostituição a cada dia ganha novos contornos e desafios. O fato de ser uma rede complexa que envolve diversos atores/ atrizes e cenários faz com que constantemente as Unidades Oblatas no Brasil estejam revendo sua forma de atuar e renovando portanto o compromisso com a vida das mulheres que se encontram inseridas neste contexto.


No ano de 2014, o Projeto Força Feminina, Unidade Oblata em Salvador, iniciou a aproximação de alguns novos pontos de prostituição em horários diferenciados. O reconhecimento de situações extremas e a fala das mulheres encontradas ao afirmarem em suas vivências diversas situações de violações de direitos fez com que a equipe pensasse as ações de 2015 levando em consideração o fortalecimento de vínculos e confiança com estas mulheres além de se aproximar de outros locais e mulheres. Por este motivo, a equipe tem realizado visitas em outros pontos além daquelas visitas até então realizadas e buscado horários diferenciados como é o caso das visitas noturnas.
Até o ano de 2014, as visitas do Projeto se localizavam mais no Centro Histórico: Ladeira da Montanha, Ladeira da Conceição, Comércio, Praça da Sé e Patamares. Em 2015, se amplia as visita em Patamares e se alcança outros locais tais como: Pituba, Orla de Salvador, Piatã, São Rafael, Largo do Tanque, Carlos Gomes, São Cristovão, Itapuã e Feira de Santana. É importante ressaltar que em Feira de Santana o trabalho já havia se iniciado em 2014.

A aproximação destes espaços e das mulheres que ai se encontram tem demonstrado a identificação de diversas violações de direitos tais como: mulheres sendo agredidas e/ou roubadas por clientes, situações desfavoráveis para realização dos programas como é caso daquelas que estão na orla, divisão injusta do lucro ou daquilo que se ganha, falta de instrumentos para a realização do trabalho como por exemplo preservativos. As mulheres verbalizam dificuldades em acessar os preservativos. Além desta realidade, as mulheres tem relatado a importância da aproximação da equipe em horários e em locais que muitas não são “bem vistos”. Elas têm falado o quão importante são estas visitas. Por este motivo, a equipe além da aproximação tem buscado levar alguns kits que possam contribuir para minimizar os desafios encontrados por elas. As parcerias com as Unidades de saúde tem sido de fundamental importância neste processo.

Em uma das visitas, uma das mulheres ficou muito interessada no trabalho e fez várias perguntas: quem éramos? Por que motivo fazíamos este trabalho? Em um determinado momento ela expressou: “Tenho 47 anos e há 17 anos estou nesta vida e nunca, nunca mesmo vi um trabalho como este. Nunca vi alguém vir nos visitar.” Ela se mostrou muito emocionada e ficou repetindo que nunca havia presenciado esta situação. Ao se despedir perguntou se poderia abraçar a equipe que a visitava.

Com o desejo de que a missão se fortaleça e que as mulheres sejam respeitadas é que o Projeto Força Feminina segue se aproximando destas realidades, se aproximando de cada mulher que com sua história mostra que muito ainda precisa ser feito.

Conteúdos do blog

As publicações deste blog trazem conteúdos institucionais do Projeto Força Feminina – Unidade da Rede Oblata Brasil, bem como reflexões autorais e também compartilhadas de terceiros sobre o tema prostituição, vulnerabilidade social, direitos humanos, saúde da mulher, gênero e raça, dentre outros assuntos relacionados. E, ainda que o Instituto das Irmãs Oblatas no Brasil não se identifique necessariamente com as opiniões e posicionamentos dos conteúdos de terceiros, valorizamos uma reflexão abrangente a partir de diferentes pontos de vista. A Instituição busca compreender a prostituição a partir de diferentes áreas do conhecimento, trazendo à tona temas como o estigma e a violência contra as mulheres no âmbito prostitucional. Inspiradas pela Espiritualidade Cristã Libertadora, nos sentimos chamadas a habitar lugares e realidades emergentes de prostituição e tráfico de pessoas com fins de exploração sexual, onde se faz necessária a presença Oblata; e isso nos desafia a deslocar-nos em direção às fronteiras geográficas, existenciais e virtuais.   

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